Ministro da Saúde critica restrições de Trump durante Assembleia Geral da ONU
Nesta sexta-feira (19), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, manifestou sua insatisfação com as restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos à sua circulação durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Apesar de ter recebido o visto, Padilha foi autorizado apenas a se deslocar entre o hotel, a missão diplomática do Brasil e a sede da ONU, o que limitou significativamente sua agenda no evento.
Durante uma cerimônia de comemoração pelos 60 anos do Departamento de Saúde Coletiva da Unicamp, Padilha ironizou a situação, dizendo que "não sou procurado pela Interpol". Ele criticou a decisão do governo americano, afirmando que essas restrições inviabilizam compromissos paralelos, incluindo reuniões bilaterais importantes fora do prédio da ONU. O ministro afirmou que a medida é uma tentativa de impedir o protagonismo internacional do Brasil, especialmente na região das Américas, dificultando sua presença em Washington para participar de importantes encontros, como a assembleia da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Padilha ressaltou que o Itamaraty havia solicitado sua participação tanto na Assembleia Geral da ONU quanto na reunião da OPAS, em Washington, e que as restrições parecem uma estratégia para diminuir a influência do Brasil na região. Ele afirmou também que, apesar das limitações impostas por Trump, o Brasil continuará liderando esforços na região, defendendo a importância da Organização Mundial da Saúde (OMS), da OPAS e do acesso à vacinação.
O episódio remonta a agosto, quando o governo dos EUA cancelou os vistos da esposa e da filha de Padilha, em resposta às críticas do ministro, que qualificou a medida como uma retaliação política. Na ocasião, Padilha afirmou que Donald Trump é "inimigo da saúde", reforçando a tensão entre ambos.
Este incidente evidencia as tensões diplomáticas e as dificuldades enfrentadas pelo Brasil em manter sua presença e protagonismo em eventos internacionais, especialmente diante de medidas restritivas que parecem ter motivações políticas.





