Barroso responde às críticas relacionadas à sua relação próxima com o setor empresarial

Luis Roberto Barroso se despede do STF com reflexões sobre sua gestão e relação com o setor privado

Às vésperas de deixar a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luis Roberto Barroso concedeu uma entrevista nesta sexta-feira (26), na qual refletiu sobre seus dois anos à frente da Corte e abordou as críticas relacionadas aos encontros com empresários e eventos de apoio a causas sociais.

Durante a conversa, Barroso defendeu sua postura de manter diálogos com representantes do setor privado, como empresários de grandes empresas, argumentando que o contato com diferentes atores é natural e necessário para a atuação do tribunal. Ele destacou que, apesar de os empresários terem interesse em temas que passam pelo STF, isso não influencia suas decisões, que buscam ser justas e imparciais. Como exemplo, citou decisões a favor e contra interesses empresariais, como a favor da terceirização e contra a contribuição social sobre lucro.

O ministro também comentou sobre um jantar realizado na casa do presidente do iFood, Diego Barreto, em apoio a uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para oferecer bolsas de estudo para pessoas negras que desejam ingressar na magistratura. Barroso ressaltou que sua relação com empresários não compromete sua imparcialidade e que é importante dialogar com todos os setores da sociedade.

Ao falar sobre a relação do Brasil com a iniciativa privada, Barroso reconheceu que ainda há preconceitos no país, herdados do período de início da industrialização, marcado por favorecimentos e financiamentos irregularidades. Contudo, afirmou que os empreendedores brasileiros atualmente desempenham um papel fundamental na geração de riqueza, criação de empregos e inovação, destacando que não tem preconceito contra o setor privado. Segundo ele, o principal problema do Brasil está na má distribuição de riquezas, agravada por um sistema tributário ineficiente.

Por fim, Barroso evitou comentar detalhes sobre sua aposentadoria antecipada, permanecendo em silêncio sobre o futuro próximo. Sua gestão no STF foi marcada por decisões importantes e por um diálogo aberto, mesmo diante de críticas, reforçando seu compromisso com a diversidade de opiniões e a importância do setor privado para o desenvolvimento do país.