Igreja da Inglaterra escolhe primeira mulher para o cargo de arcebispa de Canterbury

Sarah Mullally é nomeada a primeira mulher Arcebispa de Canterbury, marcando uma nova era na Igreja da Inglaterra

Nesta sexta-feira, 3 de novembro, a Igreja da Inglaterra deu um passo histórico ao nomear Sarah Mullally como a próxima Arcebispa de Canterbury. Com 63 anos, ex-enfermeira e bispa de Londres desde 2018, Mullally se tornará a líder cerimonial de cerca de 85 milhões de anglicanos ao redor do mundo. Sua nomeação representa uma mudança significativa, pois ela é a primeira mulher a ocupar esse cargo em aproximadamente 1.400 anos de história da Igreja.

A escolha de Mullally, uma defensora de direitos LGBTQ+ e que já apoiou bênçãos para casais do mesmo sexo, gerou reações variadas. Igrejas anglicanas mais conservadoras, especialmente na África, criticaram a decisão, destacando o impacto na unidade da Comunhão Anglicana. Laurent Mbanda, arcebispo de Ruanda e líder de um grupo de igrejas conservadoras, afirmou que a nomeação dificultará o papel do arcebispo de Canterbury como um símbolo de unidade.

Durante seu discurso na Catedral de Canterbury, Mullally afirmou que seu objetivo é ajudar todos os ministérios a prosperar, independentemente de tradições específicas. Ela também destacou a importância de a Igreja combater abusos e questões de proteção, além de condenar o aumento do antissemitismo após um ataque a uma sinagoga em Manchester.

Ao ser questionada sobre relacionamentos do mesmo sexo em uma entrevista à Reuters, Mullally admitiu que a Igreja enfrenta uma luta antiga sobre esse tema, e que as questões podem não ser resolvidas rapidamente. Sua nomeação reforça o avanço de reformas que, há mais de uma década, abriram espaço para mulheres na liderança máxima da Igreja do Reino Unido, embora muitas igrejas na África e na Ásia continuem rejeitando tais mudanças.

Este momento marca uma evolução importante na história da Igreja da Inglaterra, refletindo debates globais sobre tradição, inclusão e mudança social. A nomeação de Sarah Mullally promete trazer uma nova perspectiva à leadership da Igreja, enfrentando desafios e buscando um equilíbrio entre diferentes visões e valores.