Polícia de Londres prende mais de 440 pessoas em protesto pró-Palestina apesar de proibição e clima de tensão após ataque em Manchester
Neste sábado (4), a polícia de Londres realizou uma operação de enorme escala durante uma manifestação pró-Palestina na Trafalgar Square, que resultou na prisão de pelo menos 442 pessoas. O protesto, organizado pela entidade Defend Our Juries, ocorreu apesar de sermões das autoridades britânicas para que fosse cancelado, após o ataque mortal a uma sinagoga em Manchester na quinta-feira anterior.
O ataque na cidade do noroeste da Inglaterra deixou duas vítimas fatais. O agressor, um britânico de ascendência síria, foi morto a tiros pela polícia. Autoridades de segurança indicam que o incidente pode ter sido motivado por ideologia islâmica extremista, em um momento de crescente tensão relacionada aos conflitos no Oriente Médio.
Apesar do apelo do governo para evitar manifestações nesse período delicado, os organizadores insistiram na realização do protesto, justificando sua ação como uma resposta ao banimento do grupo Palestine Action, considerado ilegal sob as leis antiterrorismo do Reino Unido. O primeiro-ministro Keir Starmer pediu calma e respeito às emoções dos judeus britânicos, destacando que o país vive um momento de luto.
As ações policiais ocorreram na Trafalgar Square e também na ponte de Westminster, onde outras seis pessoas foram detidas por pendurarem uma faixa do Palestine Action na frente do Parlamento britânico. A operação policial envolveu o redirecionamento de forças que estavam inicialmente destinadas a reforçar a segurança em sinagogas e mesquitas, reforçando o clima de tensão na cidade.
Durante o protesto, mais de mil manifestantes aplaudiram as prisões e gritaram palavras de ordem contra a polícia, refletindo o forte sentimento de apoio à causa palestina. Apesar da repressão, os apoiadores do grupo continuam a desafiar a proibição, em uma série de manifestações pró-Palestina que se estendem por várias semanas.
Esse episódio ocorre em um contexto de agravamento do conflito entre Israel e Hamas em Gaza, que tem gerado ondas de antissemitismo e islamofobia no Reino Unido. O ataque em Manchester é visto como um reflexo da complexidade e da tensão que se intensificam na região, com intervenções internacionais, incluindo pedidos de cessar-fogo feitos por líderes como Donald Trump, que pediu a Israel que suspenda seus bombardeios e liberte os reféns.
Este episódio reforça a delicada situação de segurança e o clima de protesto no Reino Unido, onde o apoio à causa palestina continua enfrentando forte repressão policial, mesmo em meio a tragédias e episódios de intolerância.





