Líder sindical afirma ausência de suporte psicológico e permanece em silêncio durante CPMI do INSS

Presidente do Sindnapi permanece em silêncio na CPMI do INSS após habeas corpus e operação policial

Na sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, realizada nesta semana, Milton Baptista de Souza Filho, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), optou por permanecer em silêncio durante as perguntas. Segundo sua defesa, Milton não tinha condições psicológicas para responder às questões, uma decisão respaldada por um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. O habeas garante a Milton o direito ao silêncio e à plena assistência de defesa.

A situação gerou controvérsia, com o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), contestando a decisão. Para o senador, a estratégia de silenciar Milton parece uma tentativa de blindar pessoas próximas ao governo, especialmente considerando que o sindicato liderado por ele movimenta mais de R$ 1 bilhão e está ligado às investigações de fraudes relacionadas a descontos em benefícios previdenciários.

O silêncio de Milton ocorre no contexto da Operação Sem Desconto, uma ação da Polícia Federal (PF) em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), que investiga um esquema bilionário de descontos associativos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. A operação, na sua fase mais recente, realizou 66 mandados de busca e apreensão em oito estados, evidenciando a gravidade e a abrangência do esquema investigado.

A presença de Milton na CPMI, com o habeas corpus em mãos, reforça o clima de tensão e complexidade das investigações em torno do Sindnapi e de possíveis irregularidades no sistema de descontos previdenciários. A situação continua em desenvolvimento, com expectativas de desdobramentos importantes para a transparência e a responsabilização no setor previdenciário brasileiro.