Ministério do Meio Ambiente afirma que a exploração na Margem Equatorial continuará adotando critérios rigorosos

Ministério do Meio Ambiente apoia licença para perfuração de petróleo na Foz do Amazonas, após rigoroso processo de avaliação

Na noite desta segunda-feira (20), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima emitiu uma nota defendendo a licença ambiental concedida à Petrobras para perfurar o Bloco FZA-M-59 na Foz do Amazonas, uma das regiões mais sensíveis do ponto de vista socioambiental no Brasil. A pasta destacou que a autorização do Ibama foi resultado de um extenso e rigoroso processo de análise, envolvendo audiências públicas, reuniões técnicas e vistorias em diversas localidades dos estados do Pará e Amapá.

De acordo com o ministério, o processo incluiu uma Avaliação Pré-Operacional (APO), com a participação de mais de 400 profissionais de ambos os órgãos. O órgão ambiental exigiu aprimoramentos ao projeto, especialmente nas medidas de resposta a emergências. Entre as melhorias implementadas, destacam-se a construção de um Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) em Oiapoque (AP) e a inclusão de três embarcações offshore dedicadas ao atendimento de fauna afetada por possíveis vazamentos de petróleo.

O ministério também reforçou a posição da ministra Marina Silva de que a análise técnica e de viabilidade é uma atribuição do Ibama, e que órgãos licenciadores, como a Petrobras, não têm competência para avaliar aspectos de oportunidade ou conveniência da exploração de petróleo na região. A nota conclui que qualquer empreendimento em áreas de alto risco, como a Foz do Amazonas, deve seguir os mais rigorosos critérios técnicos, científicos e ambientais, garantindo a proteção do meio ambiente, das comunidades locais e das riquezas socioambientais da região.

A decisão de liberar a perfuração ocorre após anos de tentativas frustradas da Petrobras de obter o licenciamento para explorar a Bacia da Foz do Amazonas, devido a preocupações ambientais e de segurança. A região é considerada de extrema sensibilidade, abrigando Unidades de Conservação, Terras Indígenas e manguezais, além de uma biodiversidade marítima ameaçada, incluindo espécies como boto-cinza, boto-vermelho, baleia-fin e peixe-boi-marinho.

Em agosto, o Ibama aprovou a atividade, porém solicitou ajustes nos planos de emergência, sobretudo quanto às estratégias de resposta a acidentes e proteção à fauna. Com as complementações entregues e as melhorias implementadas, o órgão ambiental autorizou a perfuração, ressaltando que a realização de exercícios simulados de emergência será uma etapa importante durante a operação.

Apesar do apoio do governo, a licença para a exploração de petróleo na região tem gerado reações de ONGs e entidades ambientais, que prometem recorrer à Justiça para contestar a decisão, reforçando a necessidade de critérios ainda mais rigorosos em áreas de alta sensibilidade ambiental.

Este episódio evidencia o delicado equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, especialmente em regiões tão complexas quanto a Foz do Amazonas, onde a proteção da biodiversidade e das comunidades tradicionais deve prevalecer.