Blog Post: Tarcísio de Freitas Pede Desculpas Após Declaração Polêmica Sobre Intoxicação por Metanol
Na noite desta terça-feira (7), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou um vídeo nas redes sociais pedindo desculpas públicas pela declaração feita durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira (6), relacionada aos casos de intoxicação por metanol no estado.
Na ocasião, Tarcísio fez uma brincadeira que foi mal interpretada, ao afirmar que só se preocuparia com o problema quando começassem a adulterar Coca-Cola. Ele reconheceu o erro e afirmou: “Erro. Acabei fazendo uma brincadeira para descontrair a coletiva que foi muito mal interpretada e que, de fato, não cabia naquele momento diante da gravidade do que vem acontecendo. Por isso, peço perdão. Sei que o arrependimento não apaga o passado, mas ensina.”
A declaração do governador gerou forte repercussão negativa nas redes sociais. Durante a coletiva, até mesmo seus secretários presentes — de Saúde e Justiça — ficaram sem reação diante da piada. Civis, lideranças políticas e especialistas criticaram duramente a fala de Tarcísio, considerando-a inadequada diante do contexto de uma crise de saúde grave.
Deputados como Guilherme Boulos (PSOL-SP) compararam a postura do governador à do ex-presidente Jair Bolsonaro, que em 2020 afirmou que “não era coveiro” ao ser questionado sobre os mortos por covid-19. Boulos também classificou a declaração como “inaceitável”, reforçando a gravidade do momento em que pessoas estão sofrendo sequelas permanentes ou até perdendo a vida por conta da intoxicação por metanol.
Outros parlamentares, como Orlando Silva (PCdoB-RJ) e Erika Hilton (PSOL-SP), também manifestaram repúdio à fala. Hilton chegou a divulgar um trecho da coletiva em que Tarcísio faz a declaração polêmica, chamando-a de “um absurdo nojento e desumano”. Ela criticou ainda a postura do governador de negar qualquer envolvimento do crime organizado na crise, apesar das investigações em andamento.
Atualmente, São Paulo registra 15 casos confirmados de intoxicação por metanol e 164 sob investigação, representando mais de 82% dos casos no país, segundo o Ministério da Saúde. Três pessoas já morreram devido à intoxicação, incluindo uma mulher de 30 anos em São Bernardo do Campo, cuja morte ainda não foi incluída no balanço oficial mais recente.
As investigações da Polícia Civil de São Paulo apontam duas hipóteses principais: o uso do metanol na higienização de garrafas reaproveitadas ou sua utilização para aumentar a quantidade de bebidas falsificadas. Em resposta, Tarcísio anunciou que solicitará à Justiça a destruição de garrafas, rótulos, lacres, tampas e selos apreendidos. Mais de 7 mil unidades suspeitas de falsificação ou adulteração já foram recolhidas na última semana.
A crise do metanol é um grave problema de saúde pública que exige ações coordenadas e responsabilidade de todos. A atitude de Tarcísio de pedir desculpas é um passo importante, mas o foco agora deve ser na proteção da população e na punição de quem lucra com a adulteração de bebidas.





