Lula na ONU: Um Chamado à Cooperação, Democracia e Justiça Global
Na sua primeira fala na Assembleia Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo contundente por um mundo mais justo, democrático e multilateral. Em seu discurso, Lula destacou a importância de fortalecer as instituições internacionais diante de uma crescente crise do multilateralismo, marcada por ações unilaterais, ataques à soberania e o enfraquecimento das democracias ao redor do mundo.
Lula criticou as decisões arbitrárias que ameaçam a soberania dos países e deixou claro que o Brasil mantém seu compromisso com a democracia, resistindo às tentativas de ingerência e às ações de uma extrema direita que busca desestabilizar suas instituições. Ele reforçou que o país valoriza sua história de luta pela liberdade e que sua democracia é inegociável, destacando a condenação de um ex-presidente por crimes contra o Estado de Direito como um marco na sua defesa das instituições.
No cenário global, o presidente brasileiro abordou temas cruciais como o combate à fome, desigualdade e mudanças climáticas. Com orgulho, anunciou que o Brasil saiu do Mapa da Fome em 2025, mas apontou que ainda há 670 milhões de pessoas famintas no mundo. Lula lançou a Aliança Global contra a fome, apoiada por mais de 100 países, e defendeu uma revisão das prioridades internacionais: reduzir gastos com guerras, ampliar ajuda ao desenvolvimento e implementar uma tributação justa para os ricos.
Lula também falou sobre o papel das plataformas digitais, ressaltando a necessidade de regulamentação para combater o ódio, a desinformação e o crime, incluindo fraudes e tráfico de pessoas. O Brasil vem avançando na proteção digital, aprovando leis e projetos que fortalecem os direitos de crianças, adolescentes e promovem a sustentabilidade tecnológica.
Na América Latina e no Caribe, o presidente destacou a importância da paz e da cooperação regional, defendendo o diálogo na Venezuela, o fim da violência no Haiti e uma saída negociada para a crise na Ucrânia. Sobre o conflito israelo-palestino, Lula condenou o terrorismo do Hamas, mas também criticou o genocídio em Gaza, enfatizando que nenhuma causa justifica violações massivas do Direito Internacional.
No combate ao aquecimento global, Lula reforçou o compromisso do Brasil com a redução de emissões e destacou a importância da proteção da Amazônia, do desenvolvimento sustentável e de uma governança climática mais efetiva na ONU. Propôs a criação de um Conselho ligado à Assembleia Geral para monitorar os compromissos ambientais, além de reforçar a necessidade de reformar organizações como a OMC para garantir uma economia mais justa e equilibrada.
Ao encerrar seu discurso, Lula homenageou personalidades como Pepe Mujica e o Papa Francisco, que defendiam valores humanistas. Ele conclamou o mundo a combater o autoritarismo, a desigualdade e a degradação ambiental, ressaltando que o século 21 deve ser de cooperação, diálogo e respeito às diversidades.
O líder brasileiro reafirmou o papel da ONU como uma organização que deve refletir a multipolaridade do século, ouvindo a voz do Sul Global e promovendo a esperança, a paz e o desenvolvimento sustentável para todos. Uma mensagem de esperança e de urgência por ações concretas para um futuro mais justo e equilibrado.





