Ex-embaixador dos EUA no Brasil afirma que esforço para proteger Bolsonaro é um capítulo encerrado e uma nova fase voltada para Trump

Ex-embaixador dos EUA no Brasil avalia reaproximação entre os países como reposicionamento estratégico de Trump

Recentemente, o ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, ofereceu uma análise detalhada sobre a renovada relação diplomática entre Brasil e EUA. Em entrevista à BBC News Brasil, Shannon destacou que essa aproximação é resultado de um reposicionamento estratégico do ex-presidente Donald Trump, motivado principalmente pelos fracassos na tentativa de proteger Jair Bolsonaro de condenações judiciais e pelos impactos econômicos das tarifas sobre produtos brasileiros.

Segundo Shannon, embora Trump ainda valorize a lealdade ao ex-presidente brasileiro, ele já superou essa fase e está buscando novas abordagens. “Por que ele vai fracassar de novo quando já fracassou uma vez? Trump é astuto nesse ponto. Ele sabe quando não pode avançar em uma frente e procura outra”, afirmou. O diplomata também comentou que Trump se sentiu “mal informado ou induzido ao erro” ao sancionar o Brasil e que seria responsabilidade dele tirar os EUA dessa situação, buscando soluções diplomáticas.

Um ponto importante destacado por Shannon foi o encontro entre Trump e Lula na Assembleia Geral da ONU. Para o ex-embaixador, Trump aproveitou essa oportunidade para transformar um problema bilateral em uma chance diplomática, usando o encontro para melhorar o tom das relações entre os dois países — uma jogada inteligente no jogo da diplomacia.

A questão econômica também é central nessa reaproximação. As tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros, como café, frango, alumínio, suco de laranja e aviões da Embraer, tiveram impacto direto no cotidiano dos consumidores e empresas americanas. Shannon ressaltou que o setor privado americano percebeu os efeitos dessas tarifas, que também influenciaram a política interna dos EUA, uma vez que a manutenção de tarifas prolongadas poderia favorecer a aproximação da China com o Brasil, algo que os Estados Unidos desejam evitar.

Quanto às negociações, Shannon acredita que elas devem focar na economia e não na política, defendendo a manutenção das sanções contra ministros do STF e outras autoridades brasileiras. Ele também destacou a importância do Brasil na cadeia de fornecimento de minerais críticos e terras raras, recursos essenciais para a indústria do século 21, posicionando o país em uma posição de força para futuras negociações.

Por fim, o ex-embaixador elogiou a postura do Brasil durante a crise política, afirmando que resistiu às pressões externas e preservou sua autonomia institucional, o que considera um caminho correto. Para Shannon, o Brasil tem potencial para fortalecer sua posição internacional, especialmente ao explorar seus recursos estratégicos, tornando-se um parceiro valioso na geopolítica global.

Essa análise revela uma fase de mudança e oportunidade na relação entre Brasil e EUA, com estratégias diplomáticas e econômicas moldando um novo capítulo nas relações bilaterais.