FMI revisa para cima a previsão do crescimento econômico do Brasil em 2025, mas antecipa uma desaceleração mais acentuada em 2026

FMI melhora previsão de crescimento do Brasil para 2023, mas aponta desaceleração em 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta terça-feira (14) seu mais recente relatório de Perspectiva Econômica Global, trazendo boas notícias e alertas para o Brasil. A instituição revisou para cima suas projeções de crescimento para o país neste ano, enquanto ajustou para baixo as expectativas para 2026.

Para 2023, o FMI agora prevê que a economia brasileira deve crescer 2,4%, um aumento de 0,1 ponto percentual em relação à previsão anterior feita em julho. Essa melhora reflete sinais de moderação da atividade econômica, influenciados por políticas monetária e fiscal mais restritivas, além de fatores externos, como o impacto das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Por outro lado, a previsão para 2026 foi revisada para baixo, passando de 2,1% para 1,9%, indicando uma desaceleração mais acentuada. O relatório aponta que tarifas adicionais impostas pelos EUA, como a tarifa de 50% sobre exportações brasileiras em agosto, estão contribuindo para esse cenário de desaceleração, apesar de negociações em andamento entre os dois países.

A atividade econômica brasileira apresentou crescimento de 0,4% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores, confirmando a tendência de enfraquecimento devido à política monetária restritiva. O Banco Central mantém a taxa básica de juros (Selic) em 15%, adotando uma postura de estabilidade por tempo prolongado para conter a inflação, que deve fechar o ano em torno de 5,2%, acima da meta oficial de 3%.

Apesar do cenário desafiador, o FMI mantém uma perspectiva otimista para o crescimento global de países emergentes, incluindo o Brasil, estimando uma expansão de 4,2% em 2023. Ainda assim, o relatório destaca que condições externas mais difíceis, como tarifas elevadas e incertezas na política comercial, estão pesando sobre a economia brasileira e de outros países exportadores.

No âmbito fiscal, o FMI também alerta para um aumento significativo na dívida pública brasileira em relação ao PIB em 2025, acompanhando tendências globais de aumento da dívida em países como China, França e Estados Unidos.

Por fim, o relatório reforça a importância de políticas econômicas equilibradas e de um ambiente externo mais favorável para sustentar o crescimento de longo prazo. As negociações entre Brasil e Estados Unidos, incluindo um possível encontro entre os presidentes Lula e Trump, podem ser um passo importante para mitigar impactos negativos e abrir novas oportunidades comerciais.

Em resumo, o Brasil apresenta sinais de recuperação moderada em 2023, mas desafios persistem, especialmente em relação às condições globais e às políticas internas de estímulo à economia. A atenção aos próximos meses será crucial para o desempenho econômico do país nos anos seguintes.