Depoimento de Alessandro Stefanutto na CPMI do INSS: Tensões, conflitos e questionamentos sobre corrupção
Na última segunda-feira (13), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS realizou uma sessão marcada por intensos embates, revelando o clima de tensão envolvendo o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto. O depoimento, que começou com atraso de aproximadamente uma hora, foi palco de discussões acaloradas, pedidos de suspensão e até de prisão, refletindo a gravidade das investigações sobre corrupção e desvios no órgão.
Stefanutto, que deixou o cargo em abril de 2025 após a deflagração da Operação Sem Desconto — uma ação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) que revelou um esquema milionário de fraudes em aposentadorias e pensões —, chegou ao Senado com uma decisão judicial que lhe garantiu o direito de permanecer calado em perguntas que possam incriminá-lo. No entanto, optou por responder à maioria das questões, demonstrando disposição de colaborar.
A sessão foi marcada por confrontos diretos entre Stefanutto e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Quando questionado, Stefanutto se recusou a responder, alegando já ter sido julgado pelo relator, o que gerou uma intensa discussão e uma suspensão temporária. A tensão aumentou ainda mais quando o deputado acusou Stefanutto de estar ligado ao maior esquema de roubo de aposentados e pensionistas, levando a um bate-boca com dedo em riste.
Após o episódio, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) pediu a prisão do depoente, mas o pedido foi negado pelo presidente da comissão. Durante o depoimento, Stefanutto afirmou que recebeu o INSS em julho de 2023 enfrentando problemas financeiros, econômicos e de pessoal, e destacou sua disposição ao diálogo, inclusive recebendo parlamentares de oposição em mutirões previdenciários.
O ex-presidente também defendeu a atuação do instituto e de seus servidores, tentando mostrar uma gestão comprometida. Sua saída ocorreu após a operação policial que revelou um esquema bilionário de fraudes, envolvendo desvios de aposentadorias e pensões.
Além de Stefanutto, o depoimento de André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS, também estava previsto, mas foi adiado após ele apresentar um atestado médico. Na agenda, ainda estão previstos depoimentos de outras figuras relacionadas ao caso, incluindo o representante da Conafer, entidade suspeita de envolvimento nas fraudes, na próxima quinta-feira (16).
Este episódio reforça o clima de crise e a busca por esclarecimentos na CPMI, que continua investigando a fundo os desvios no INSS e os responsáveis por esses crimes que afetam milhões de aposentados e pensionistas em todo o país.





