Ouro supera os US$ 4 mil pela primeira vez enquanto há uma busca sem precedentes por segurança

O Ouro ultrapassa US$ 4 mil pela primeira vez em 2025, impulsionado por incertezas globais e cortes de juros

Nesta quarta-feira, o ouro atingiu uma marca histórica ao ultrapassar a casa dos US$ 4 mil por onça pela primeira vez em 2025, fechando a US$ 4.034,59 na cotação à vista, com uma alta de 1,3%. Os contratos futuros para dezembro também avançaram 1,3%, chegando a US$ 4.056,80. Essa valorização reforça o papel do ouro como um ativo de proteção em momentos de incerteza econômica e geopolítica, além de refletir a expectativa de cortes nas taxas de juros nos Estados Unidos.

O metal amarelo vem acumulando uma alta de cerca de 54% no ano, após uma valorização de 27% em 2024, consolidando-se como um dos ativos de melhor desempenho em 2025, superando mercados acionários, bitcoin e resistindo às perdas do dólar e do commodities petróleo.

O avanço do ouro também estimulou a prata, que subiu 2,2%, atingindo US$ 48,85 por onça, aproximando-se de seu recorde histórico de US$ 49,51.

Diversos fatores têm impulsionado essa tendência: expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve, incertezas políticas e econômicas globais, compras de bancos centrais, entradas em ETFs de ouro e a fraqueza do dólar. Rhona O’Connell, analista da StoneX, destacou que a paralisação do governo dos EUA, que entrou em seu oitavo dia, tem atrasado a divulgação de dados econômicos importantes, levando investidores a recorrerem ao ouro como forma de mitigação de risco.

Além disso, crises internacionais, como o conflito no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia, além de turbulências políticas na França e no Japão, contribuíram para o aumento da demanda por ativos seguros, refletindo um cenário de instabilidade global.

Enquanto o mercado precifica um corte de 25 pontos-base nas taxas de juros na próxima reunião do Federal Reserve, a incerteza política e econômica deve manter o ouro em alta, reforçando sua posição como refúgio seguro em tempos turbulentos.

Reportagem de Anmol Choubey, Anushree Mukherjee e Brijesh Patel em Bengaluru.