Renan afirma que o Senado revisará aspectos do projeto de isenção do imposto de renda e critica a Câmara por aprovar “armadilhas”

Senado promete mudanças no projeto do Imposto de Renda aprovado pela Câmara

Na última terça-feira (21), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) anunciou que o Senado irá propor alterações no projeto de reforma do Imposto de Renda (IR) aprovado pela Câmara dos Deputados. O objetivo é corrigir pontos considerados problemáticos na proposta, especialmente aqueles que podem gerar insegurança jurídica ou prejuízos financeiros para os entes federados.

Principais pontos de discordância

O projeto da Câmara amplia a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil por mês, um avanço importante na maior parte da população de baixa renda. No entanto, Renan Calheiros destacou que há “pegadinhas” no texto que precisam ser revistas. Um exemplo citado foi a regra sobre dividendos, que permite a isenção até dezembro de 2028 para dividendos registrados até dezembro de 2025. Essa brecha pode gerar uma situação de desigualdade, com dividendos pagos ainda em 2026, 2027 e 2028 sujeitos a diferentes regras de tributação.

Calheiros criticou a proposta do relator na Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), e afirmou que o Senado pretende fazer as mudanças diretamente, sem a necessidade de devolver o texto à Câmara, buscando maior agilidade na tramitação. O senador também mencionou que o projeto apresenta inconstitucionalidades que podem ser corrigidas por meio de emendas ou desmembramentos, inclusive por um projeto paralelo, se necessário.

Contexto da proposta

O projeto enviado pelo governo federal busca criar uma taxação mínima para quem possui rendas superiores a R$ 600 mil anuais e ampliar a incidência de impostos sobre lucros, dividendos e investimentos que atualmente estão isentos. Apesar das mudanças feitas pela Câmara, que manteve a isenção para certos lucros e dividendos até o fim de 2025, o Senado quer ajustar esses pontos para evitar privilégios e garantir maior arrecadação.

Impactos para estados e municípios

Durante uma audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), a Confederação Nacional de Municípios (CNM) manifestou preocupação com as possíveis perdas na arrecadação municipal. Como parte do IR retido na fonte é destinada às prefeituras, alterações na cobrança podem afetar os recursos disponíveis para os municípios, o que demanda medidas de compensação.

Perspectivas futuras

Apesar do cenário de debates e possíveis emendas, o governo já anunciou que apresentará ao Congresso dois projetos alternativos à MP da taxação, ampliando as opções de soluções para essa questão. O avanço do projeto no Senado dependerá do diálogo entre as diferentes bancadas e da busca por uma proposta equilibrada, que seja justa para os contribuintes e sustentável para as finanças públicas.

Fique atento às próximas movimentações no Congresso, pois o tema do Imposto de Renda permanece em destaque, com impacto direto na economia e na arrecadação do país.