Na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada nesta sexta-feira (26) em Nova York, a presença do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi marcada por protestos e manifestações de repúdio por parte de delegações de diversos países. Antes de seu discurso, representantes do Brasil e de outras nações deixaram o plenário, enquanto Netanyahu era aplaudido por alguns e vaiado por outros, refletindo a forte controvérsia que cerca o conflito na Faixa de Gaza.
O discurso de Netanyahu foi pautado por uma postura firme e defensiva. Ele relembrou o ataque do Hamas em 7 de outubro, que resultou em mais de 65 mil mortes e uma crise humanitária sem precedentes na região. O líder israelense destacou as operações militares de Israel contra grupos extremistas na região, incluindo o Irã, Hezbollah, Houthis e Hamas, afirmando que o país tem destruído suas capacidades militares e armas nucleares.
No que diz respeito ao conflito em Gaza, Netanyahu afirmou que Israel continuará suas operações para eliminar o Hamas, prometendo “terminar o trabalho” e não esquecer os reféns israelenses. Em uma ação simbólica, ele informou que cercou Gaza com alto-falantes conectados ao microfone da ONU, na esperança de que os reféns ouçam sua mensagem. Em hebraico, Netanyahu garantiu aos reféns: “Não nos esquecemos de vocês, nem por um segundo”.
O discurso também foi marcado por críticas a líderes ocidentais que reconheceram recentemente o Estado da Palestina. Netanyahu acusou esses países de abandonarem Israel após seu revidar ao Hamas e criticou a postura de nações como França, Reino Unido, Austrália e Canadá, que reconheceram unilateralmente um Estado palestino. Para ele, essa ação é uma “vergonhosa loucura” e uma recompensa aos extremistas, comparando a criação de um Estado palestino às concessões que poderiam fortalecer grupos terroristas.
A fala de Netanyahu também abordou a questão de uma possível criação do Estado da Palestina, que ele rejeitou veementemente. Comparou a ideia à criação de um Estado para a Al-Qaeda perto de Nova York após 11 de setembro, e afirmou que Israel não permitirá que essa iniciativa aconteça, pois representaria uma ameaça à segurança do país.
A presença de Netanyahu na ONU foi marcada por uma forte demonstração de posicionamento firme diante do conflito, ao mesmo tempo em que gerou reações contrárias e protestos internacionais. Sua postura reflete a complexidade e a polarização que envolvem a crise em Gaza, destacando a difícil equação entre segurança, diplomacia e direitos humanos em um dos conflitos mais duradouros do século XXI.





