Toyoake, no Japão, limita uso de smartphones a duas horas por dia para melhorar a qualidade de vida
Na última quarta-feira (1º), a cidade japonesa de Toyoake deu um passo importante na preocupação com o bem-estar digital de seus moradores ao aprovar uma lei que restringe o uso de smartphones, tablets e computadores a um máximo de duas horas diárias durante o tempo de lazer. A medida, que não se aplica ao uso para trabalho, estudo ou deslocamentos, busca promover uma vida mais equilibrada e saudável para seus cidadãos, especialmente para as crianças.
Segundo o prefeito Masafumi Kouki, o objetivo principal é melhorar a qualidade de vida e combater a evasão escolar, além de cuidar do sono dos moradores. O uso excessivo de telas, especialmente entre crianças, tem sido associado a problemas de saúde, como dores cervicais e distúrbios no sono — uma preocupação reforçada pela recomendação do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, que sugere entre 9 e 12 horas de sono para alunos do ensino fundamental, e entre 6 e 10 horas para adolescentes e adultos.
A administração local destacou que a lei não inclui o monitoramento dos aparelhos ou penalidades para quem ultrapassar esse limite, reforçando que a iniciativa visa conscientizar, e não restringir direitos. “Se o uso de mais de duas horas não afetar o sono ou as interações familiares, não há problema em fazer até três ou quatro horas”, afirmou a prefeitura. O foco é estimular um uso responsável e equilibrado dos dispositivos, promovendo diálogo e autocuidado.
O debate sobre o uso excessivo de telas é global. No Brasil, estudos indicam que os adultos passam mais de 9 horas por dia nas redes sociais, enquanto crianças e adolescentes muitas vezes acessam esses meios sem supervisão adequada. Especialistas alertam que o uso excessivo de telas pode levar a problemas de visão, ansiedade, depressão e dependência, reforçando a necessidade de políticas e orientações que protejam a saúde mental e física dos mais jovens.
Em nível internacional, países como Estados Unidos, Austrália e Brasil vêm implementando regras para limitar o acesso de menores às telas e às redes sociais. No Brasil, por exemplo, a proibição do uso de celulares em escolas entrou em vigor em 2025, enquanto cidades como Rio de Janeiro e São Paulo já adotaram suas próprias iniciativas. Na Flórida, uma lei restringe o acesso às redes sociais para menores de 14 anos, e na Austrália, a idade limite é de 16 anos.
A iniciativa de Toyoake reforça a crescente preocupação global com o impacto do uso excessivo de tecnologia na saúde e no desenvolvimento das crianças. A esperança é que, por meio de medidas conscientes e de conscientização, seja possível promover uma relação mais saudável com os dispositivos digitais, garantindo o bem-estar de toda a comunidade.





