Ativista brasileiro deportado de Israel chega ao Rio e relata ter sido torturado

Ativista brasileiro da Flotilha Global Sumud chega ao Rio de Janeiro após tentativa de ajudar Gaza

Na noite de segunda-feira, 6 de novembro, o ativista Nicolas Calabrese desembarcou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, recebendo apoio de manifestantes com cartazes em solidariedade à Palestina. Com cidadania argentina e italiana, Nicolas vive no Brasil há mais de 10 anos e é o primeiro membro da delegação brasileira da Flotilha Global Sumud a chegar ao país.

A Flotilha Global Sumud é um movimento internacional que reúne ativistas, parlamentares e civis de 44 países com o objetivo de levar ajuda humanitária — como alimentos, água e suprimentos médicos — à população de Gaza, bloqueada por Israel. A missão, composta por mais de 50 barcos, foi interceptada pela Marinha israelense na última quarta-feira, 1º de novembro, incluindo a embarcação brasileira na qual Nicolas viajava, junto com outros 13 ativistas, como o ambientalista Thiago Ávila e a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE).

Nicolas relatou que, durante a prisão, foi submetido a torturas físicas e psicológicas por parte das autoridades israelenses. Segundo ele, foi algemado, teve os olhos vendados e foi submetido a maus-tratos como empurrões, chutes e a retirada de seus pertences. Ele descreveu a situação como uma "guerra de extermínio". Em entrevista ao SBT, ele afirmou: "Tive os olhos vendados e colocaram um lacre na minha mão. [Fui] empurrado, chutado, arrancaram nossos pertences. Quem quisesse falar alguma coisa, o companheiro era deixado no sol, ajoelhado."

O Ministério das Relações Exteriores de Israel negou as acusações, afirmando que "todos os direitos legais dos participantes foram e continuarão a ser totalmente respeitados" e classificou as denúncias como parte de uma "campanha de notícias falsas pré-planejada". A pasta também destacou que o único incidente violento envolveu um provocador do Hamas-Sumud, que teria mordido uma funcionária da equipe médica.

Além de Nicolas, outros ativistas relataram maus-tratos por parte das forças israelenses. Thiago Ávila, que está em greve de fome e sede, denunciou a negação de medicamentos essenciais e cuidados médicos, afirmando que só retomará a alimentação após a garantia de assistência adequada. Já Luizianne Lins falou sobre "condições degradantes, uso de violência psicológica e falta de tratamento médico adequado", além de alegar que audiências judiciais ocorreram sem a presença de advogados.

A chegada de Nicolas e a continuidade dessas denúncias evidenciam o esforço internacional de solidariedade e os desafios enfrentados por aqueles que tentam levar ajuda humanitária a Gaza, em meio a um conflito que já dura dois anos, marcado por intensos bombardeios e uma crise humanitária agravada pelo bloqueio e a escassez de recursos essenciais.